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 / outubro 2026

Separação eletrostática de precisão impulsiona ampliação do refino nacional

Projeto na Refinaria Duque de Caxias destaca o papel das dessalgadoras de última geração na eficiência do refino brasileiro
Separação eletrostática de precisão impulsiona ampliação do refino nacional

O processamento de diferentes correntes de petróleo exige das refinarias controle rigoroso da qualidade do petróleo tratado. A preparação adequada da carga requer, entre outros cuidados, a remoção de impurezas como água, sais e sedimentos. Quando não removidos adequadamente, esses contaminantes podem comprometer as etapas subsequentes do refino, reduzir a eficiência operacional e gerar custos adicionais de manutenção.

Essa necessidade também se aplica a projetos de adequação de unidades existentes, nos quais é preciso preparar o petróleo para atender aos requisitos das etapas seguintes sem que o objetivo seja ampliar a capacidade de processamento da refinaria. Nesse contexto, o setor tem buscado tecnologias de separação que aliem alta eficiência de tratamento a índices de pureza cada vez mais estritos.

Na Reduc, tecnologia de dessalgação viabiliza processamento do pré-sal para lubrificantes

Uma das alternativas mais consolidadas para esse desafio é a separação eletrostática por meio de dessalgadoras. Ao entrar no vaso de pressão, a emulsão é submetida a um campo eletrostático de corrente alternada (CA) de alta tensão gerado pelos eletrodos internos do vaso, os quais são alimentados por três transformadores de 50 kVA (x 3). Este campo promove a coalescência das gotículas de água, ou seja, o agrupamento destas gotículas, quando unidas, separam-se do óleo por diferença de densidade. Após a separação, o óleo é escoado pela parte superior do vaso, enquanto a água, contendo sal e outras substâncias contaminantes, é retirada pela parte inferior.

Um exemplo recente dessa aplicação em escala industrial ocorre na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro. A Petrobras contratou duas dessalgadoras com vazão de 8.000 m³/d cada para implementação na entrada da U-1510, Unidade de Destilação Atmosférica e a Vácuo para Lubrificantes. O objetivo é viabilizar o processamento de petróleo brasileiro proveniente do pré-sal para a produção de matéria-prima destinada à fabricação de lubrificantes, reduzindo a necessidade atual de importação de petróleo para suprir essa unidade. Os equipamentos irão operar como 2° estágio do processo de dessalgação.

O fornecimento, contratado este ano, está sendo liderado pela FLUXO, em parceria com seu licenciador de tecnologia NEET Process, especializada em tratadores eletrostáticos para dessalgação e desidratação de petróleo. A empresa americana é responsável pela tecnologia empregada nos vasos, do tipo Advanced Control Horizontal Flow Electrostatic (ACE), que utiliza um dispositivo de mistura proprietário para o tratamento da emulsão. O escopo contempla engenharia básica e de detalhes, fabricação, serviços e supervisão, assistência técnica à partida e testes dos equipamentos.

Os vasos serão fabricados juntamente com a Nuclep, em Itaguaí (RJ). Os equipamentos somam aproximadamente 120 toneladas e devem processar parte substancial da produção da refinaria, garantindo óleo tratado com 0,5% de BS&W (sedimentos e água) e teor máximo de sal de 2,85 mg/l. A eficiência operacional prevista é de 99%, com teor de óleo no efluente limitado a 500 ppm ou menos.

“Avaliar uma tecnologia de dessalgação apenas pelo equipamento ou pela capacidade de tratamento é uma visão limitada. É importante considerar os efeitos que o controle dos contaminantes pode produzir nas etapas seguintes. Por isso, seu desempenho precisa ser observado também sob a perspectiva econômica da operação”, afirma Daniel Barros, Diretor de Operações da FLUXO.

Controle e performance ganham relevância na adequação do refino

O projeto da Reduc evidencia um movimento importante no refino brasileiro: a adequação das instalações para ampliar a flexibilidade no processamento de diferentes correntes de petróleo. A incorporação das novas dessalgadoras busca viabilizar o uso do petróleo nacional proveniente do pré-sal, em substituição ao petróleo atualmente importado para suprir essa operação, preservando o desempenho e a confiabilidade do processo. Nesse ambiente, a combinação entre tecnologia avançada, engenharia especializada e fabricação nacional contribui, nesse sentido, para atender às particularidades do mercado local.

A evolução do setor, portanto, não está restrita à etapa final do processamento. Ela também envolve os processos que preparam o petróleo para as fases seguintes, colocando a dessalgação em uma posição estratégica dentro da operação.